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- A Transdisciplinary Approach to Psychomotricity
 P S I C O M O T R I C I D A D E , UMA EXPERI╩NCIA TRANSDISCIPLINAR

Marina Tschiptschin Francisco
Resumo
Esta é uma abordagem fundamentalmente prática baseada no Sistema Biodanša aplicado à Psicomotricidade, uma disciplina que tem pesquisado a psicologia do movimento. Nesta abordagem combinada, as principais questões da Psicomotricidade: Corpo Vivido, Corpo Percebido, Corpo Representado, Esquema Corporal, Lateralidade, Espaço, Tempo, Ritmo, Tônus Muscular, Controle, Coordenação e Equilíbrio são discutidas à luz das principais correntes da Psicomotricidade, da Psicologia Bioenergética e da Psicologia do Desenvolvimento. Então, cada uma das questões é traduzida numa aula de Biodanša que explora todas suas possibilidades e contrapontos. O objetivo é o de experienciar e modificar a memória emotiva contida no corpo, afetando sua expressão através do movimento. Os alunos são preparados para compreender esta abordagem que é um complemento à Cinesiologia, pois explora a contrapartida psicológica da lógica e da logística inerentes à consciência corporal e do movimento. Os resultados desta abordagem são apresentados e discutidos.

Palavras-chave: Conversa Corporal, Memória Emocional, Memória Corporal, Transformando a Memória Emocional.

PSYCHOMOTRICITY, A TRANSDISCIPLINARY EXPERIENCE
Abstract
This is a fundamentally practical approach, based on the Biodanša system and on Psychomotricity, a subject that has been researching the psychology inherent to movement. This transdisciplinary approach involves important Psychomotricity issues such as: the Body as Lived, the Body as Perceived, the Body as Represented, Body Schema, Lateralization, Space, Time, Rhythm, Muscle Tonus, Control, Coordination, and Equilibrium, which  are  discussed  under the light of the main currents of Psychomotricity , Bioenergetic Psychology and Developmental Psychology. Each of these Psychomotricity issues is then translated into a Biodanša class that explores a wide range of its possibilities and counterpoints. The aim is to experience and modify the emotional memory in the body, affecting its expression through movement. Students are thus introduced to this approach, which complements Kinesiology as it explores the psychological aspects of the logic and logistics inherent to body awareness and movement. The results of this approach are disclosed and discussed in this paper.
Index Terms -- Body Talk, Emotional Memory, Body Memory, Transforming Emotional Memory.

Considerações Preliminares
A Psicomotricidade ainda é um conceito muito novo, tendo sido introduzido nos anos 30 do século XX. Revendo a literatura a respeito, encontramos algumas abordagens inter e transdisciplinares. A maioria delas, entretanto, não se aventura suficientemente no conteúdo emocional da atividade muscular, inerente ao movimento. Wilhelm Reich foi o pioneiro no encontrar conteúdos emocionais reprimidos nas couraças musculares. Ele e seus seguidores desenvolveram maneiras de liberar o conteúdo emocional através da análise e liberação dessas couraças.
Nos anos 60, Rolando Toro Araneda criou a Biodanša, definida como “um sistema de integração humana envolvendo renovação orgânica, reeducação afetiva e reaprendizagem das funções originais da vida.(TORO, 2005, p. 33). A Biodanša, ao convidar as pessoas às suas vivências, através de uma combinação de música, cantos, movimento e situações de encontro grupal, inconscientemente introduz um programa de Psicomotricidade, levando seus participantes a conscientizarem a memória emotiva inerente a seus corpos e ao seu movimento, levando-os a liberar o conteúdo emocional ali existente e a atingir novos níveis de integração psicofísica que têm um notável poder curador.

Proposta Metodológica
Sendo Psicóloga e Facilitadora de Biodanša, encontrei-me defrontada com a tarefa de desenvolver um programa de Psicomotricidade para o curso de Dança da Faculdade Paulista de Artes. Foi então que examinei os principais temas em torno do movimento corporal, que constituem a Psicomotricidade, e verifiquei que a maioria das diferentes abordagens da disciplina não haviam levado em conta os aspectos emocionais profundos implicados no corpo em movimento. E isso me apareceu como uma porta aberta para a Biodanša, que desde os anos 60 tem palmilhado pelo corpo expressivo das emoções,.
Na construção deste sistema, as dimensões básicas da Psicomotricidade, Corpo Vivido, Corpo Percebido, Corpo Representado, Esquema Corporal, Lateralidade, Espaço, Tempo, Ritmo, Tônus Muscular, Controle, Coordenação e Equilíbrio [2] foram compreendidas como questões pertinentes à expressão dos potenciais emocionais humanos e traduzidas em aulas de Biodanša destinadas a despertar a consciência corporal e desenvolver a expressão corporal, de maneira a reparar desvios em cada um desses temas e aproximar o indivíduo de seu equilíbrio interior.

Noções sobre Biodanša
A Biodanša é definida por seu autor, Rolando Toro, como um sistema que parte da concepção holística que integra todas as manifestações da Natureza, encarando-as como interligadas e concomitantes. A Biodanša baseia-se em dois princípios fundamentais: O Inconsciente Vital, que permeia toda a vida na Terra, e seu corolário, o Princípio Biocêntrico. Toro (1999, p. 4) assim se expressa:
O conceito inerente ao Inconsciente Vital permite-nos compreender em profundidade o Princípio Biocêntrico, como uma “tendência” que gera vida. O Inconsciente Vital encontra-se sincronizado com a essência viva do Universo... O ato da cura será compreendido como um movimento para recuperar essa sincronia vital com o Universo.
Dentro da noção de Inconsciente Vital está implícita a ideia da Cognição Celular, assim definida por Toro (1999, p. 4):
(...) uma forma de vida psíquica dentro dos órgãos, tecidos e células, obedecendo a um ‘sentido’ global de autopreservação. O Inconsciente Vital origina fenômenos de solidariedade celular, criação de tecidos, defesa imunológica e, em suma, a ocorrência bem sucedida dos sistemas vivos. Este “psiquismo” coordena as funções regulatórias orgânicas e homeostáticas, exibindo grande autonomia no que toca à consciência e ao comportamento humanos. O Inconsciente Vital é uma forma de cognição celular que cria regularidades e tende a manter a estabilidade das funções...
A noção de Cognição Celular conduz à ideia de que essa cognição se traduz ao corpo físico, através do movimento voluntário e involuntário, integrando nesse traslado a memória emocional filogenética e ontogenética.
Ao examinarmos a mais recente formulação do Modelo Teórico da Biodanša (TORO, 2012), podemos ver ali o Inconsciente Coletivo de Jung, compreendido como um aspecto do Inconsciente Vital que compõe a zona oculta da consciência humana e é acessível à conscientização e à cura, através de ecofatores positivos (fatores ambientais favoráveis) que levam ao resgate integrador das protoexperiências (experiências primeiras na vida de uma pessoa, impressas na memória celular e determinantes de suas atitudes emocionais fundamentais ao longo da vida ).
Os trabalhos de Toro são uma homenagem poética à dança, compreendida como uma ampliação do espaço vital, ao longo de algumas linhas expressivas: vitalidade, sexualidade, criatividade, afetividade e transcendência. Aqueles que conhecem e praticam a Biodanša têm uma noção de como esse sistema pode ampliar a sensibilidade e liberar o universo interior, conduzindo a uma harmonização inter e intrapessoal. Nas palavras de Toro (2005, p. 33):
Desde o princípio da história humana, até o presente, o homem tem realizado certos “gestos eternos”. Esses gestos arquetípicos aparecem em  esculturas e pinturas de todas as épocas. São gestos de adoração, maternidade, reverência, trabalho, intimidade (...). As posições geratrizes da Biodanša geram danças e constituem verdadeiros arquétipos gestuais.

Conteúdo das aulas
Cada um dos principais temas sugeridos pela literatura de Psicomotricidade: Corpo Vivido, Corpo Percebido, Corpo Representado, Esquema Corporal, Lateralidade, Espaço, Tempo, Ritmo, Tônus Muscular, Controle, Coordenação e Equilíbrio (ALVES, 2008), foi investigado e discutido com os alunos, em termos daquilo que sugere à memória emotiva, e do papel dessa memória no movimento corporal. Reciprocamente, o papel do movimento na modificação da memória corporal.
Por exemplo, o tema Tônus Muscular sugere a inibição ou liberação de energia a alguma parte do corpo, dependendo do que essa energia, ou parte do corpo, significa para a pessoa, simbólica e emocionalmente. Essa pessoa poderá ser hipotônica ou hipertônica, dependendo de estado emocional, ou de caráter. Com frequência, a falta ou excesso de tônus muscular estão relacionados a distúrbios afetivos. Wilhelm Reich mostrou como as defesas psíquicas e a repressão criam um encouraçamento muscular que retém a energia psíquica, um encouraçamento difícil de remover.
Como outro exemplo, o tema Espaço sugere como o Eu se vê dentro de um cenário interno e, por conseguinte do cenário externo, especialmente na relação com os outros. Se sou confiante no meu relacionamento comigo mesmo, provavelmente serei confiante no relacionamento com os outros e meus movimentos serão livres e fáceis, nas suas projeções internas e externas.
Tendo este gênero de referenciais em vista, uma aula inteira de Biodanša foi criada para cada um desses temas, tornando possível aos alunos vivenciarem cada uma das possibilidades aventadas, ao longo de um espectro de inibição-liberdade. A tomada de consciência dessas possibilidades e de seu significado emocional permitia que se transformasse as defesas e repressões musculares em energia fluente interpenetrada por novos significados psicológicos. Assim, o corpo em movimento, guiado pelo livre arbítrio que transcende comportamentos condicionados, promovia uma mudança na memória emotiva, gravando nas células corporais outras impressões.
Concretizando melhor, no caso do tema Tônus Muscular, uma aula especial de Biodanša foi criada para dissolver as defesas que mantêm o encouraçamento muscular traduzido em excesso de tônus, permitindo aos alunos expressarem toda a emoção e energia reprimidas, liberando-as na relação com o Eu e com o Outro, preparando-os para serem mais expressivos em seu ambiente cotidiano.
Concretizando no caso do tema Espaço, se não estou confiante em minhas relações, não posso expandir meu espaço expressivo, seja ele interno ou externo, tudo em mim será apertado, exíguo. Elaborar a questão dentro de uma aula de Biodanša modificará a memória emotiva de estar num ambiente desconfortável e há de me preparar para lidar com o Espaço com mais liberdade e facilidade. Uma aula deste tipo conduz os alunos a uma percepção vivenciada de como o corpo em movimento, acompanhado pela compreensão mental e pela liberação emocional, pode tornar-se um poderoso fator de cura para a personalidade como um todo.

Exemplificando uma aula
O Esquema Corporal
A primeira parte desta aula escolhida ao acaso é uma discussão teórica sobre o tema central. A segunda parte é uma aula de Biodanša especialmente construída para que os alunos experienciem a temática em questão no movimento de seus próprios corpos.
Esquema Corporal é um conceito que se refere ao mapa interno do corpo tal qual percebido pelo indivíduo. Trata-se de uma representação das propriedades espaciais do corpo, impregnadas de tonalidades psicológicas e emocionais.
No início, o ego infantil está fundido com o da mãe. Pouco a pouco, ele começa a individuar-se, e mãe se torna o objeto – segunda pessoa. Com o tempo, entra o pai e se torna a 3ª pessoas. Nesta trajetória de individuação, as relações da criança consigo mesma e com o outro determinarão como essa criança vê o mundo e correspondentemente atua dentro dele. Se boas impressões são formadas, a criança atuará bem no mundo. Por outro lado, se essa criança atua apropriadamente no mundo, boas impressões serão formadas, configurando um círculo virtuoso. É claro que a contrapartida de um círculo vicioso também é possível, sendo as condições adversas.
O instrumento para conhecer o Eu, o Outro e o Mundo é o corpo, seja ele receptivo (sensorial), ou interativo (motor, envolvendo os músculos, o movimento e seus deslocamentos). Assim, a criança avança, sentindo e interagindo consigo mesma, com o  outro e com o mundo. E assim a criança forma seu Esquema Corporal, dentro do qual cada parte de seu corpo, e cada movimento, representa algum tipo de relação consigo ou com o outro.
Por exemplo, com as mãos a criança pode tocar-se e tocar o outro. Mas é também com as mãos que a criança pode esconder, bater e ferir. Com os pés, a criança pode mover-se na direção daquilo que é desejado, ou retirar-se daquilo que é temido ou rejeitado. Com a boca, a criança pode saborear uma comida desejada, pode cuspir ou morder algum objeto temido ou repelido. Com as entranhas, a criança pode incorporar objetos apetecedores provenientes de fora, mas é também com as entranhas que ela incorporará sentimentos desagradáveis, raiva, medo, angústia e outros conflitos, ficando com vários tipos de desconfortos e dores. Com os olhos, a criança poderá ver aquilo que é desejado, mas também poderá ficar cega para aquilo que não é desejado. É assim que cada parte do corpo adquire progressivamente uma imagem para o Eu da criança, uma imagem que apenas ela vê e sente.  
É assim que a criança forma seu Esquema Corporal, no qual cada parte e o todo estão impregnados de afetividade positiva ou negativa. Caso a relação com o Eu ou com o Mundo seja boa, a imagem será positiva.      
O Esquema Corporal pode ser visto com clareza quando a criança desenha a figura humana, que, fundo, é uma representação do seu Eu. Por exemplo, o desenho poderá mostrar mãos potentes – capazes de alcançar e tocar objetos e pessoas importantes. Ou, o desenho poderá mostrar mãos que parecem garras afiadas – expressando ressentimento e agressão, ou pés que são pequenos demais concebidos como incapazes de darem uma boa sustentação e de conduzirem-na a seus objetivos. Ainda, o desenho poderá expor olhos que são pequenas rachaduras – meio fechados, para não verem aquilo que eles não querem ver, talvez até para não ser vista. Ou um nariz muito grande – talvez sentido ávido de captar odores que possam ser proibidos, talvez agressivo ou simbólico de uma sexualidade forte. Essa imagem desenhada poderá exibir um corpo volumoso, pregado ao chão – sentido como demasiado dominado pela gravidade, possivelmente apegando-se à segurança oferecida pelo solo. Ou um corpo que é alto e magro – sentido como leve e capaz de subir a grandes alturas.
Fica claro que este mapa do corpo, como é sentido pela pessoa,  não é estático, mas tem um movimento. Tudo aquilo que é forte neste mapa-imagem tem alguma relação com movimentos fortes, e vice-versa.
Nesta aula, experienciaremos o Esquema Corporal em várias de suas possibilidades, assim como é experienciado ao longo da vida, sob diferentes circunstâncias. E seguiremos uma trajetória direcionada à cura de feridas internas, conduzindo a um fortalecimento e a uma sublimação, para melhorar o Esquema Corporal. Esta aula oferece oportunidades para neutralizar eventuais emoções negativas associadas ao corpo, substituindo-as por marcas emocionais positivas, liberadoras.

Vivências
(Segunda parte desta aula, a música usada em cada exercício está em itálico)
1 – Viajando para o passado, até que você se torne um bebê – o grupo é estimulado a construir um túnel circular para que os participantes o atravessem, um por um, recebendo carícias à medida que vão passando – Música para Bebês - 1 – Las Mañanitas – 3:45
2 – A visão do rosto da mãe - bebês de apenas um dia de idade são capazes de perceber e desejar o rosto de suas mães. Esse desenho esquemático que consiste de um círculo com dois olhos, um nariz e uma boca, é muito importante e deve ser prazeroso, através de uma expressão amorosa. Neste momento, formando pares em círculo, embalamo-nos reciprocamente e trocamos olhares afetuosos, para inspirar confiança e entrega - Elvis for Babies 4 – Love Me Tender – 4:12
3 – A visão da própria mão / a visão da mão da mãe / tocando afetuosamente nossas próprias mãos / tocando afetuosamente as mãos de alguém outro – quando está com 4 meses, a criança encontra e segue com seu olhar suas próprias mãos, bem como as da mãe / a criança toca o que vê / neste momento, eu olho para as minhas mãos, tão  usadas em tarefas objetivas e tão pouco olhadas, com o mesmo amor e interesse que o bebê dedica a elas / em seguida, olho e sigo com o olhar as mãos dos outros / e então toco minhas mãos e as mãos dos outros - The Very Thought of You – Natalie Cole and Nat King Cole – 4:15
4 – Definindo seu espaço no mundo / o bebê intercepta a trajetória de objetos – aos 7 meses, a coordenação viso-motora torna-se mais complexa e o bebê consegue mais interações com objetos e pessoas - Honey Pie – Beatles -  2:10
5 – Pinçando pequenos detalhes, divertindo-se – com 10 meses, o bebê se torna progressivamente mais interessado em detalhes menores e começa a dominá-los, tornando-se capaz de pegar pequenos objetos – da mesma forma, vamos formar pares, uma pessoa pinça detalhes da outras, que se faz mole como uma boneca de pano, movimentando esses detalhes à vontade. Mais tarde, dá-se o vice-versa. – Who’s Sorry Now – Traditional Jazz Band - 4:20.
6 – Brincando com vários outros desafios, em pares – com a idade de 18 meses, o bebê já anda com facilidade e realiza vários outros movimentos complexos. Sob o comando do facilitador, os alunos vão trepando, subindo pelo corpo do outro, descendo, introduzindo partes de seu corpo em vazios do corpo do outro, etc. - Rip it Up – John Lennon – 1:34.
7 – Imitando outras pessoas / espelho / sombra – aos 2 anos e meio, a criança começa a seguir os modelos oferecidos pelos pais e passa pelo prazer de ser um modelo para eles - Reserva Especial Eldorado – CD 1 – 14 - Hit the Road Jack – Ray Charles – 2:46.
8 – Oposição / dizendo não / afirmando a identidade e a posse / estabelecendo limites – isso se dá com a idade de 3 anos, este é o momento de mobilizar a energia assertiva com a qual podemos reformular com ênfase nossa memória corporal/afetiva. - Cirque Du Soleil Saltimbanco - 12 - Saltimbanco –– 5:15.
9 – Brincando ritmicamente em pares – adentrando outra energia mais integradora, trabalhando para harmonizar seu esquema corporal com o esquema do outro - Rumba Azul - Caetano Veloso – 3:31.
10 – Harmonização dentro de uma melodia, em pares – neste momento, a memória celular entra em diálogo afetivo com a memória do outro - Corcovado – Emílio Santiago – 4:05.
11 – Relaxando diferente anéis musculares, em pares - é quando a pessoa entra em contato consigo mesma em câmara lenta, sob o toque afetuoso de um parceiro / lembrando Shantala massageando seu bebê - Lua, lua, lua – Caetano Veloso – 4:01.
12 – Movimentando-se pelo espaço, com fluidez, sob toques e cuidado afetivo, em pares – eu toco e estimulo amorosamente o outro, para que se mova com prazer - Rancho nas Nuvens – Tom Jobim – 4:04.
13 – Oferecendo seu colo – assim acolhido, o Esquema Corporal repousa e se torna plenamente recomposto, absorvendo os benefícios do equilíbrio homeostático – dá-se a abertura à fluência de energias reequilibradoras / a dupla arquetípica mãe-bebê é recomposta – Meditation de Thaïs – Jules Massenet - 5:07.
13a – Todos repousam juntos em grande entrega, partilhando as energias do equilíbrio interno – dentro do relaxamento compartilhado, há uma adicional dissolução de qualquer encouraçamento que tenha sobrado e o Esquema Corporal continua a ser beneficiado - Meditation de Thaïs – Jules Massenet - 5:07 (repetindo).
14 – Despertar – levantando-se e se encaminhando para encontros afetivos, produzindo mais momentos curativos para as feridas internas impressas na memória celular - Magie d’Amour – J. P. Posit – 4:43.
15 – Roda final celebrando a renovação do Esquema Corporal – festejamos o Esquema Corporal tão mais feliz, pleno de impressões mais harmoniosas - Estamos Chegando – Milton Nascimento – 3:35.

Resultados e considerações finais
Estes resultados são parciais e o sistema ainda tem que ser aperfeiçoado. Até agora, temos os resultados de dois semestres de 80 horas/aula cada, aplicados a duas classes de 2º semestre, dentro do Curso de Dança, na Faculdade Paulista de Artes.
Verificamos que os alunos se têm tornado mais cônscios das implicações emocionais no movimento corporal e na dança. Eles foram trasladados de uma compreensão muito superficial da dança como uma experiência externa, visual, sujeita a coreografias e técnicas, para uma compreensão aprofundada da dança como uma manifestação espontânea do universo interior, como fonte geradora de bem estar e equilíbrio.
Outro ganho deste curso é a percepção de que o movimento pode ser curado e de que a emoção concomitantemente será curada com ele. Mais do que antes, a Psicomotricidade emerge como um processo de cura que abrange a mente, a emoção e o movimento.
Estes resultados são encorajadores e sugerem maiores investigações desta abordagem à Psicomotricidade, em pesquisa futura aplicada à educação.

Referências
ALVES, F. Psicomotricidade: corpo, ação e emoção. Rio de Janeiro: WAK, 2008.
TORO, R.“O Inconsciente Vital e o Princípio Biocêntrico” in Cadernos do Curso de Formação Docente de Biodanša, Sistema Rolando Toro, apostilas mimeografadas do autor, Copyright Rolando Toro Araneda, 1999, pp 4 and 56.
TORO, R. Biodanša. São Paulo: Olavobrás, 2005, pp. 33.
 TORO, R. Definição de Biodanša [site da IBF – Sistema Rolando Toro]. 2012. Disponível em <http://www.biodanza.org/index.php?option=com_content&view=article&id=50%3Adefinicion-de-biodanza&catid=35%3Abiodanza&Itemid=91&lang=pt> Acesso em: 15 abril 2012

Breve biografia
Bailarina clássica com formação na American Ballet Theater School. Psicóloga formada pela Universidade de São Paulo, com pós-graduação no Pennsylvania Psychiatric Institute integrado à Universidade de Temple (USA), e Mestrado em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie Professora de graduação e pós-graduação de Comunicação Corporal, Psicomotricidade, Dança para o Ator, Sensibilização à Memória Corporal e Dança Teatro na Faculdade Paulista de Artes. Facilitadora de Biodanša reconhecida pela International Biocentric Foundation.
E- mail – marinatf@uol.com.br

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ISSN 2238-1112 - 
Anais do II Congresso Nacional de Pesquisadores em Dança (ANDA) - 2012
Teorias do CorpoDança: ensino, pesquisa e cena

 

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